Como Planear um Site. Um Guia Prático Baseado em Experiências Reais

Como Planear um Site. Um Guia Prático Baseado em Experiências Reais

Augusto Maria Iglesias

Planear um site pode ser um desafio, especialmente quando começamos com esboços em papel que rapidamente se tornam confusos e levam a ciclos intermináveis de revisão.

Neste artigo, procuramos reunir insights de profissionais e guias especializados para criar um processo claro e eficaz de planeamento, seja para um projeto pessoal, empresarial ou para um cliente.

Há algo de profundamente humano em querer começar a construir antes de ter um plano. É como sair de casa sem saber o destino, a aventura pode ser emocionante, mas as chances de te perderes são altas. No mundo dos sites, essa impulsividade tem um preço, páginas esquecidas, funcionalidades que não conversam entre si, e pior, um utilizador que fecha o browser em frustração.

Planear um site é como contar uma história, precisamos de personagens (o teu público), de enredo (os objetivos), e de estrutura (a arquitetura). E, claro, um final que faça sentido.

Antes de dar o primeiro traço num esboço ou escrever uma única linha de código, a fase mais crítica e frequentemente subestimada no planeamento de um site é definir claramente o seu propósito e identificar o seu público-alvo, estes são as fundações sobre o qual toda a estrutura será construída, e ignorar este ponto é o caminho mais rápido para um projeto confuso, desfocado e ineficaz.

Comece por fazer três perguntas fundamentais. A primeira, “qual é o objetivo principal do site?” Este objetivo deve ser claro, mensurável e direto. Pode ser vender produtos numa loja online, partilhar conhecimentos através de um blog, capturar potenciais clientes (gerar leads) para um serviço, ou simplesmente fornecer informações institucionais sobre uma empresa. Ter esta meta bem definida funciona como uma bússola, orientando todas as decisões futuras, desde o design até às funcionalidades implementadas.

De seguida, pergunte, “quem é o público-alvo?” Não basta pensar num grupo vago de “utilizadores”, é preciso segmentar e personificar, qual a sua faixa etária? Quais são os seus interesses, profissões e desafios? Que tipo de conteúdo consomem e em que plataformas? Quais são as suas necessidades e comportamentos específicos quando navegam online? Compreender profundamente o perfil do visitante ideal permite criar uma experiência verdadeiramente relevante e persuasiva.

Por fim, e de forma interligada, questione, “que problema específico este site resolve para esse público?” Todo o site bem-sucedido funciona como uma solução. Pode resolver o problema de encontrar um serviço especializado, de aprender uma nova competência, de comprar um produto de forma rápida e segura, ou de se conectar com uma comunidade. Articular claramente esta proposta de valor é o que transforma visitantes casuais em utilizadores engajados ou clientes.

Como vários profissionais da comunidade de criação de site destacam, iniciar o processo com uma reflexão profunda sobre o conteúdo e a finalidade do site não é apenas uma boa prática, é um antídoto contra a deriva do projeto. Esta clareza inicial impede que, mais tarde, se acrescentem funcionalidades desnecessárias ou se desperdicem recursos em elementos que não servem ao objetivo principal nem falam diretamente ao público certo. Investir tempo nesta primeira etapa é poupar esforço, evitar retrabalho e garantir que o site construído tem um rumo definido e uma razão de ser sólida.

Com o propósito e o público-alvo claramente definidos, o próximo passo fundamental é dar forma e organização a esse conteúdo através da criação de um mapa do site, este não é um mero documento técnico, mas sim o esqueleto arquitetónico de todo o projeto, a representação visual da experiência de navegação que o utilizador terá.

A construção de um mapa do site começa de forma simples, criar uma lista exaustiva de todas as páginas necessárias. Pense em cada peça de conteúdo, cada serviço, cada produto ou cada secção de informação que o site deve conter. Depois, a etapa crucial é organizá-las hierarquicamente.

Isto implica definir quais são as páginas principais (como a página inicial, “Sobre Nós”, “Serviços” ou “Contacto”) e quais são as páginas secundárias que se ramificam a partir delas (por exemplo, dentro de “Serviços”, poderão existir páginas individuais para “Consultoria”, “Desenvolvimento” e “Suporte”). Esta hierarquia reflete-se diretamente na futura navegação do site, seja através de menus, breadcrumbs ou ligações internas.

Para esta tarefa, as ferramentas são adaptáveis às suas preferências. Se valoriza a colaboração em tempo real e o brainstorming visual, ferramentas digitais como Miro, Lucidchart ou o próprio Figma são ideais, permitindo arrastar e soltar blocos, estabelecer ligações e interagir rapidamente com equipas ou clientes.

Por outro lado, se a simplicidade e a agilidade são prioritárias, métodos tradicionais como papel e caneta ou a organização linear num documento do Google Docs ou no Notion são igualmente eficazes e acessíveis.

O verdadeiro poder de um mapa do site vai além da organização, ele ajuda a visualizar o fluxo completo de navegação, permitindo identificar de imediato percursos confusos, páginas isoladas ou ramificações excessivas que podem confundir o visitante.

Mais importante ainda, atua como uma lista de verificação estratégica, garantindo que nenhuma página, funcionalidade ou secção de conteúdo importante seja esquecida durante o planeamento, evitando assim aquela sensação frustrante, no final do desenvolvimento, de que “falta qualquer coisa”.

O mapa do site transforma a ideia abstracta do site numa estrutura concreta e planeada, servindo como um guia indispensável para as fases de design e desenvolvimento que se seguem.

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