Depender apenas do Facebook é um pouco como alugar um quarto quando se poderia ter a chave da própria casa.
A Ilusão do “Basta-me o Facebook”
Há alguns meses, conheci a história de uma queijeira artesanal no interior de Trás-os-Montes. A neta, orgulhosa, mostrou o perfil do negócio no Facebook, fotografias das queijadas, vídeos do processo, comentários de clientes satisfeitos. “Já não precisamos de mais nada”, disse ela, enquanto a avó, em silêncio, mexia nas formas de madeira que usava há décadas. Surgiram então várias perguntas inevitáveis, e se a neta se cansar? E se o Facebook decidir que o alcance daquela página já não é prioridade? E se, de repente, a conta for bloqueada por um erro de algoritmo?
Não há dúvida de que o Facebook é uma ferramenta poderosa. É um mercado global, uma praça pública onde todos podem mostrar o que fazem. Mas a verdade nua e crua é simples, o Facebook é uma ferramenta de marketing, um site é a casa digital de um negócio. Confiar um negócio inteiramente a uma plataforma de terceiros é como construir sobre areia movediça.
Não é Dono, é Inquilino
No Facebook, um negócio não tem uma casa, tem um quarto alugado, e o senhorio pode mudar as regras quando quiser.
Há cinco anos, um amigo meu, dono de uma pequena livraria em Coimbra, viu o alcance das suas publicações cair de 80% para menos de 10%. Não fez nada de errado. O Facebook decidiu simplesmente que, para chegar aos seus seguidores, teria de pagar. O algoritmo não é um aliado, é um negócio, e o negócio do Facebook é vender anúncios.
O problema vai além do alcance. Uma conta pode ser desativada sem aviso. Há inúmeras histórias semelhantes, a pastelaria em Braga que perdeu o acesso à página depois de um ataque informático, ou o artesão que viu a sua conta bloqueada após um concorrente denunciar, por má-fé, a venda de produtos “proibidos”. Sem aviso. Sem recurso simples. Sem piedade.
Construir um negócio exclusivamente no Facebook é como edificar uma casa no terreno do vizinho. A qualquer momento, pode ser convidado a sair, e todo o trabalho acumulado fica à porta.
Limitações Técnicas, o Facebook Grita “Amador”
Um perfil no Facebook, por mais bem cuidado que esteja, transmite uma mensagem subliminar, “isto é um hobby” ou, na melhor das hipóteses, um projeto secundário.
O layout é genérico e não permite criar uma experiência única que reflita a identidade do negócio. Tudo se parece igual, a mesma estrutura, os mesmos botões, a mesma sensação de repetição.

Até o endereço levanta dúvidas,
www.facebook.com/ONegocio-Com-Sinais-Estranhos-12345 versus www.otalnegocio.pt.
Qual deles transmite mais confiança a alguém que procura a empresa pela primeira vez?
Num site próprio, controla-se a narrativa. Decide-se o que o visitante vê primeiro, os serviços, o portfólio, os contactos. No Facebook, tudo se perde no fluxo caótico da linha do tempo.
Funcionalidades Comerciais, o Facebook Não Foi Feito para Vender
O Facebook é excelente para conversar, mas um negócio precisa de mais do que gostos e comentários.
SEO é praticamente inexistente. Os motores de busca privilegiam sites próprios. É muito difícil que uma página de Facebook apareça nas primeiras posições quando alguém pesquisa “melhor pastelaria em Braga” ou “marceneiro em Lisboa”.
Quanto a ferramentas de venda, num site próprio é possível integrar carrinhos de compras, gestão de inventário, áreas de cliente e sistemas de pagamento. No Facebook, tudo depende das limitações da plataforma, e isso raramente é suficiente para um negócio sério.
O email marketing também sofre. Captar emails no Facebook é como tentar encher um balde furado. Num site, existem formulários, pop-ups e ofertas dedicadas. Os emails são um dos ativos digitais mais valiosos de um negócio, mas no Facebook não há controlo sobre eles.
E quanto ao conteúdo profundo? Artigos, tutoriais, textos que demonstram autoridade? O Facebook não é o espaço ideal para isso. É como tentar plantar uma árvore num vaso pequeno.
O Cliente e a Experiência do Utilizador, Barreiras Invisíveis
Quando um cliente visita uma página de Facebook, está sempre a um clique de se distrair com um vídeo de gatos ou uma discussão política. Num site próprio, o foco é totalmente no negócio.
O contacto também se torna mais difícil. Muitos clientes, sobretudo os mais velhos, preferem um email ou um número de telefone visível a enviar mensagens pelo Messenger. No Facebook, informações importantes como horários, morada ou preços ficam escondidas em secções pouco claras ou em publicações antigas. Num site, tudo está organizado, acessível e profissional.
A Ilusão do “Grátis”
“O Facebook é gratuito” é um argumento comum. Mas nada é realmente grátis. Se não se paga com dinheiro, paga-se com dados, controlo e alcance.
Para ser visto, é preciso pagar anúncios. O alcance orgânico para negócios é quase inexistente. Além disso, os dados dos seguidores e das interações não pertencem ao negócio, são usados pelo Facebook para alimentar a sua máquina de publicidade.
O tempo gasto a tentar “vencer o algoritmo” poderia ser investido na criação de conteúdo valioso para um site próprio, um ativo permanente, não um castelo de cartas.
A Estratégia Vencedora, Facebook e Site, Juntos
Alguns acreditam que um perfil no Facebook é suficiente. Outros defendem que apenas um site profissional importa. A realidade, porém, está no equilíbrio entre ambos.
O Facebook pode ser visto como a praça da cidade, um espaço vivo, onde as pessoas se encontram, conversam e descobrem novidades. É ideal para mostrar trabalho, partilhar histórias e criar comunidade. Funciona como um cartaz chamativo que desperta curiosidade.
Mas uma praça não é um lar. Para receber clientes com calma, mostrar um portfólio completo, fechar negócios e construir confiança a longo prazo, é preciso uma casa. Essa casa é o site.
O site é o espaço onde existe controlo total sobre a experiência. É ali que a história do negócio é contada sem limitações de algoritmos ou caracteres. Serviços, produtos e informações estão organizados de forma clara, sem distrações, sem anúncios de terceiros.
O Facebook é o convite para a festa. O site é a festa.
Usa-se o Facebook para criar ligação e expectativa, o site para converter essa atenção em vendas e fidelização. Um alimenta o outro, o Facebook direciona tráfego para o site, e o site oferece conteúdo que volta a ser partilhado nas redes. Um ciclo virtuoso.
Facebook ou Site? A Diferença Entre Alugar e Construir
Quando se fala em presença digital, é fácil acreditar que uma página no Facebook resolve tudo. Mas a diferença entre ter apenas uma página e investir num site próprio é a mesma que existe entre alugar um quarto e construir uma casa.
Com um site, há controlo e posse total. É um ativo permanente, que pertence ao negócio. No Facebook, existe dependência total das regras da plataforma, que podem mudar a qualquer momento.
A imagem profissional também muda drasticamente. Um site permite um design único, alinhado com a identidade da marca. No Facebook, por mais esforço que exista, a página será sempre apenas mais uma entre milhões.
A visibilidade nos motores de busca é outra grande diferença. Um site pode ser otimizado para o Google, uma página de Facebook raramente aparece sem anúncios pagos.
As funcionalidades são incomparáveis. Num site, as possibilidades são quase infinitas. No Facebook, são limitadas ao que a plataforma permite.
Quanto ao custo real, o site exige investimento inicial, mas oferece controlo a longo prazo. O Facebook, apesar de parecer gratuito, cobra através de anúncios, dados e dependência.
Para Que Serve Cada Um?
Um site próprio serve para converter, vender e ser encontrado. É onde se tomam decisões e se constroem bases sólidas.
O Facebook serve para divulgar, interagir e criar comunidade.
E como se diz na minha terra,
“Quem não tem terra, não tem futuro.”
No mundo digital, quem não tem site, não tem terra.